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Amigos da rede Notas Futebolísticas convido a todos a migrarem para a Rádio Unisinos FM, na qual sou uma simples estagiária e agora também uma humilde apresentadora de programa. Estreia nesta terça-feira, 3 de novembro, o 103 Esporte Clube. Música brasileira, notícias do esporte e dicas de atividades culturais.

103 Esporte Clube é ao vivo, de segunda a sexta-feira, do meio-dia às 13h. A Unisinos FM pode ser sintonizada na frequência 103.3 no Vale dos Sinos e Região Metropolitana de Porto Alegre ou em qualquer lugar do Planeta Terra pela internet no site da emissora.

Conto com a participação de vocês, caros ouvintes e leitores do Not Fut. Suas críticas e sugestões podem ser feitas no perfil do programa no Twitter ou via mensagem instantânea no endereço esporteclube103@hotmail.com do MSN.

Obrigada pela audiência,
Juliana de Brito

Felizes os que viram eles jogar

No Dia de Finados, apresento uma lista de falecidos e aposentados dos quais eu – com meus poucos e não favorecidos (futebolisticamente falando) anos de vida – gostaria de ter visto atuar nas quatro linhas. Cito também aqueles que estão vivos por aí, dando o ar da sua graça, mas antes mesmo de eu ter nascido já se mostravam como idosos aposentados falando demais (vide Pelé). E, afinal, como hoje é dia dos mortos, ofereço estas palavras como se fossem minhas flores cheirando e minhas velas queimando para os gênios aclamados por gerações antecedentes à minha.

Lev Yashin, o Aranha Negra (★02/10/1929 — ✞21/03/1990): um defensor que começa sua trajetória jogando hockey sobre gelo já sai na frente. Defendeu a mesma equipe, o Dínamo de Moscou, por 22 anos. Atualmente, não vejo nenhum goleiro especialista em penalidades, característica destacada em Yashin por todos os velhos do futebol. Foram 270 jogos sem levar gol e 150 pênaltis defendidos. Antes de grandes decisões, fumava um cigarro e tomava uma bebida forte. Na reserva, o aposentado Gordon Banks (★30/12/1937).

Djalma Santos (★27/02/1929): o aposentado disputou mais de cem partidas pela Seleção Brasileira, incluídas as copas de 1954, 1958, 1962 e 1966. Segundo especialista, sua força física o permitia ir à frente e seu fôlego o favorecia para voltar a tempo de não deixar a defesa desguarnecida. Que lateral-direito faz isso hoje? Na reserva, o também vivíssimo e aposentado Carlos Alberto Torres (★17/07/1944).

Bobby Moore (★12/04/1941 — ✞24/02/1993): dizem que nem era tão bom por cima, mas que compensava com seu cérebro. Disputou a Copa do Mundo de 1970, foi campeão como capitão em 1966 e também disputou a de 1962. Em 2008, o West Ham anunciou a aposentadoria da camisa 6 do clube que pertenceu a ele de 1958 a 1974. A decisão foi uma homenagem aos 50 anos da estréia do jogador pela equipe londrina. Na reserva, o aposentado Franz Anton Beckenbauer (★11/09/1945)

Domingos Antônio da Guia (★19/11/1912 — ✞18/05/2000): para não confundir que fique claro: Domingos é pai de Ademir da Guia – grande ídolo da história do Palmeiras – e irmão de Ladislau da Guia – maior artilheiro da história do Bangu, com 215 gols. A partir de sua habilidade em driblar os atacantes e avançar na área, criou-se o termo Domingada. Mário Filho dizia que ele não gostava de sujar o uniforme, não arriscava um “carrinho”, e que Domingos dava o bote na hora certa. Na reserva, o aposentado Don Elías Figueroa (★25/10/1945).

Duncan Edwards (★01/10/1936 — ✞21/02/1958): embora ele tenha sobrevivido ao acidente do avião da equipe do Manchester United em Munique, em fevereiro de 1958, morreu quinze dias depois em consequência das suas lesões. Tento vivido poucos anos de vida, não se sabe o quanto Duncan poderia ter sido brilhante. Mas os que o viram jogar afirmam que a habilidade e sua estatura física eram impressionantes. Tornou-se lendário, portanto. Na reserva, o aposentado Nilton Santos (★16/05/1925).

Obdulio Jacinto Varela (★20/09/1917 — ✞02/08/1996): representa nesta lista toda uma equipe que eu gostaria de ter visto jogar: a seleção uruguaia que se sagrou campeã mundial em 1950, em pleno Maracanã. Na reserva, o aposentado Johan Cruyff (★25/04/1947).

Ferenc Puskás Biró (★02/04/1927 — ✞17/11/2006): era considerado gordo e baixo, deselegante e desajeitado. Mas qual a relevância disso no futebol? O que importa é que dizem que em sua época foi o melhor jogador do mundo. Na reserva, Waldir Pereira, o Didi (★08/10/1928 — ✞12/05/2001).

Héctor Pedro Scarone (★26/11/1898 — ✞04/04/1967): o cabeceio era uma de suas principais características. Scarone também sabia parar no ar para aguardar o exato momento de colocar a bola para as redes. Sabia se aproveitar dos arremates. Na reserva, o aposentado Pelé (★23/10/1940).

Garrincha (★28/10/1933 — ✞20/01/1983): Carlos Drummond de Andrade disse: “Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios”. E a minha geração vê o Robinho na Seleção… Na reserva, o aposentado Alcides Ghiggia (★22/12/1926).

Outros aposentados e falecidos que gostaria de ter visto em campo: Roberto Rivellino (★01/01/1946), Mario Kempes (★15/07/1954), Arthur Friedenreich (★18/07/1892 — ✞06/09/1969), Alfredo di Stefano (★04/07/1926), George Best (★22/05/1946 — ✞25/11/2005) e muitos, muitos outros.

Juliana de Brito,
quase morrendo de nostalgia de um tempo que não viveu.

Não vale tanto a pena assim:

Do ponto de vista jornalístico, é lamentável ouvir as análises e filosofias do comentarista, mas virou divertimento. Também serve como forma de reflexão sobre a qualidade dos destacados jornalistas brasileiros. Ou não.

Juliana de Brito

O vídeo data 10 de dezembro de 2005. O autor do gol e da inusitada comemoração é Matthew Russell, do Rochdale Town. No fim, de nada adiantou o feito pois o F.C United ganhou a partida válida pela Northern Premier League, a 7º Divisão do Futebol Inglês.

Mais informações aqui.

Juliana de Brito

A minha professora favorita e grande incentivadora, Patrícia Weber, voltou de São Paulo com uma centena de fotos do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.

Abaixo, seguem algumas imagens com legendas livremente criadas por esta blogueira:

Chegamos

Chegamos

Aí o Rubinho faz o pit stop

Aí o Rubinho faz o pit stop

Últimos retoques no carro do Schumacher. Ah, não, Schumacher não corre mais

Últimos retoques no carro do Schumacher. Ah, não, Schumacher não corre mais

Nem tão confortável, mas não é preciso ouvir o Galvão

Nem tão confortável, mas não é preciso ouvir o Galvão

Não choveu

Não choveu

Hoje sim, hoje sim, hoje sim! Hoje nããããooo

(ou choveu?) Hoje sim, hoje sim, hoje sim! Hoje nããããooo

O gordo aquele, amigo do Freddie Mercury Prateado

O gordo aquele, amigo do Freddie Mercury Prateado

Juliana de Brito com colaboração de Patrícia Weber e Paulo Torino

Os narradores amadores do Notas Futebolísticas desapareceram. Da minha parte, admito, falta paciência em insistir para que os ouvintes/torcedores participem do programa. Como forma de alento, ou apenas porque gosto de narrações, vou trazer para o blog momentos peculiares transmitidos pelas ondas do rádio.

O áudio de hoje tem uma carga emocional muito grande. Os narradores choram – provavelmente juntos com os torcedores do outro lado do aparelho – porque Honduras está na Copa do Mundo 2010 depois de 28 anos. A classificação só foi concretizada aos 49 do segundo tempo do jogo entre Costa Rica e Estados Unidos. O gol de empate norte-americano deu a classificação automática para o país que só conhecemos devido aos atuais conflitos políticos.

Confira:

Juliana de Brito

Divirta-se:


Juliana de Brito

Sou uma desiludida com o futebol de Douglas Costa. Escreva o primeiro comentário (com palavras lapidadas asperamente) aquele que nunca se decepcionou com um jogador da base de seu time. E, assim como gradualmente tem acontecido na minha relação com o DC, já ocorreu com muitas outras promessas. Não há novidade. Alguém já deveria ter escrito um manual de como não se iludir com jogadores de futebol – talvez eu mesma o faça.

Pense rápido, caro leitor, em três nomes de futebolistas que foram apontados como futuros grandes craques e tornaram-se lendas pobres do nosso futebol. É fácil citar mais de cinco em clubes que às vezes faltam com a atenção nas categorias de base ou na transição da base para o profissional. Também não atribuo culpa total aos dirigentes. Afinal, a imprensa tem o velho vício de anunciar: “esse é o cara”. E, no fim, torna-se ele um Rodrigo Gral (ou um João Ninguém, sem nem nome bonito para ser lembrado). Não vou esquecer também de culpar o torcedor: esse acredita no que os jornalistas falam ou faz precipitados julgamentos sobre as qualidades de um ser em formação.

Por isso, além disparar essa rápida reflexão sobre quem está nos enganado quando afirma que Douglas Costa é genial, indico a leitura do texto Dez foguetes molhados do Grêmio, de Lincoln Chaves. Num recorte de uma década, aponta dez nomes, diz por onde andam e, o mais importante, por que não vingaram. O artigo está abrigado no site Olheiros, do qual sou visitante assídua e sugiro leitura diária.

Juliana de Brito

Não há decepção maior para um leitor quando, ao ser seduzido por um título, se investe em um livro e depois decepciona-se com o conteúdo. Às vezes, o título vai muito ao contrário daquilo que é abordado na obra. O mesmo acontece com manchetes de jornais, chamadas de reportagens, nomes de álbuns, descrições de produtos.

Duas palavras bastam – e são definitivas – para agarrar ou não o consumidor. Sempre ouvi isso dos meus professores e chefes. Pior é quando se tem um número estabelecido de caracteres para definir as palavras que vão fisgar o teu leitor. Por muito tempo tive que pensar títulos com um número de toques pré-definido. Isso aumenta o perigo de uma manchete ser ambígua, confusa ou sem informação.

Com prática, porém, é possível fazer uma manchete que: 1) não seja exagerada; 2) não seja óbvia; 3) seja informativa; e 4) não seja mentirosa. Deve-se ser criterioso com a escolha do verbo que resume toda a ação do acontecimento.

A agilidade e os espaços limitados da internet prejudicam a qualidade dos títulos da imprensa esportiva. Além dos trocadilhos arriscados e desastrosos, é fácil encontrar chamadas que mentem.

No exemplo, Globo tem presença confirmada

Na edição desta quarta-feira do site GloboEsporte.com, o título “Paulo Baier confessa: ‘Sempre pensei em jogar no Grêmio’” é enganador. A chamada é acompanhada da seguinte linha de apoio: “Jogar no Tricolor gaúcho seria a realização de um sonho de infância”. A partir disso, o sujeito é convidado a ler uma matéria na qual, imagina-se, será revelado o desejo ainda vigente do jogador do Atlético Paranaense.

Não é assim que se desdobram as informações. Já no terceiro parágrafo, a declaração do jogador desfaz a manchete. “- Quando criança pensei em jogar no Grêmio. Afinal toda a minha família é gremista. Mas isso não tem mais nada a ver hoje. Sempre defendo bem o clube em que jogo – afirmou Baier, sem revelar mágoa”.

Eis a enganação

Eis a enganação

Eis a contradição

Eis a contradição

Ou seja, “isso não tem mais nada a ver hoje” vai totalmente conta ao “sempre pensei em jogar no Grêmio”. É um exemplo claro da tentativa corriqueira da imprensa em esquentar uma matéria. O verbo (“confesso”) escolhido para o título também é inadequado. Nunca foi novidade – nem segredo – que Paulo Baier já teve vontade de atuar pelo Grêmio.

O mais grave é utilizar a afirmação do jogador como forma de escudo para fundamentar a construção do título. O uso impróprio de citações e de verbos é muito comum na imprensa. Difícil é encontrar títulos que reúnam um conjunto de qualidade essencial: informação, ação e criatividade. Quando encontrar um exemplo positivo, não hesitarei em apontá-lo e desconstruí-lo neste blog.

Juliana de Brito

Barato e bom

Barato e bom

A indicação desta semana é o livro Futebol ao “Sol e à Sombra” (L&PM), de Eduardo Galeano, que reapareceu em minhas mãos nessa quarta-feira de futebol sul-americano. Ganhei a versão pocket da obra no início do ano e, vez ou outra, abro em qualquer página para reler algum causo contado com primor do escritor uruguaio.

Eis que ontem, quando assistia a Inter x Universidad de Chile, conversava com minha colega de apartamento – também uruguaia – sobre o “seu” Peñarol e sobre suas aventuras no Estádio Centenário. E me lembrei de Galeano e de suas palavras que me encantam.

Galeano também é autor de outra obra que gosto de reler: “O livro dos Abraços”. Resolvi sortear uma página do “Futebol ao Sol e à Sombra” para indicar para os meus queridos leitores. O texto segue logo abaixo. O assunto, a propósito, remete a um texto meu publicado há um tempo na minha coluna do Portal3, intitulado “A magia do estádio”. Mas, por hora, fiquem só com Galeano que é de qualidade indiscutível:

Talismãs e esconjuros

Muitos jogadores entram em campo com o é direito e fazendo o sinal da cruz. Também há os que vão direto ao arco vazio e fazem um gol, ou beijam as traves. Outros tocam a grama e levam a mão aos lábios.

Com freqüência se vê que o jogador usa medalhinha no pescoço e, presa ao pulso, alguma fita de proteção mágica. Se bate um pênalti que sai meio torto, é porque alguém cuspiu na bola. Se desperdiça um gol feito, é porque algum bruxo fechou o arco inimigo. Se perdeu a partida, é porque deu a camisa da última vitória.

O arqueiro argentino Amadeo Carrizo estava há oito partidas com sua meta invicta, graças aos poderes de um gorro que usava ao sol e à sombra. Aquele gorro exorcizava os demônios do gol. Uma tarde, Ángel Clemente Rojas, jogador do Boca Juniors , roubo-lhe o gorro. Carrizo, despojado de seu talismã, tomou dois gols, e o River perdeu a partida.

Um protagonista do futebol espanhol, Pablo Hernández Coronado, contou que quando o Real Madri ampliou seu campo, passou seis anos sem ganhar o campeonato, até que a maldição foi vencida por um torcedor que enterrou uma cabeça de alho no centro do gramado. O célebre atacante do Barcelona, Luis Suarez, não acreditava em maldições, mas ainda assim sabia que ia fazer gols cada vez que derramava vinho enquanto comia.

Para invocar os espíritos malignos da derrota, os torcedores jogam sal no campo inimigo. Para espantá-los, semeiam seu próprio campo com punhados de grãos de trigo ou arroz. Outros acendem velas, oferecem aguardente à terra ou jogam flores no mar. Há torcedores que suplicam proteção a Jesus de Nazaré e às almas benditas que morreram queimadas, afogadas ou perdidas, e em vários lugares se comprovou que as lanças de São Jorge e seu gêmeo africano Ogum são muito eficazes contra o dragão do mal olhado.

As gentilezas, por sua vez, devem ser agradecidas. Os torcedores favoritos pelos deuses sobem de joelhos as encostas de altas montanhas, envoltos na bandeira do time, ou passam o resto de seus dias murmurando o milhão de rosários que juraram rezar. Quando o Botafogo foi campeão em 1957, Didi saiu de campo sem passar pelo vestiário e assim, com seu uniforme de futebol, pagou a promessa que tinha feito ao seu santo padroeiro: atravessou a pé a cidade do Rio de Janeiro, de ponta a ponta.

Mas as divindades nem sempre dispõem do tempo necessário para vir em socorro dos jogadores atormentados pela desgraça. A seleção do México tinha chegado ao Mundial de 30 abatida por prognósticos pessimistas. Na véspera da partida contra a França, o treinador mexicano, Juan Luqué de Serrallonga, dirigiu uma mensagem de ânimo aos jogadores reunidos em seu hotel de Montividéu: garantiu-lhes que a Virgem de Guadalupe estava rezando por elews lá na pátria, morro de Tepeyac.

O treinador não estava bem informado sobre as múltiplas atividades da Virgem. A França meteu-lhes quatro gols e o México foi o lanterninha do campeonato.

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